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  • Foto do escritorAlberto Danon

Anvisa põe em xeque idoneidade do Instituto DataFolha

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária questiona seriedade de pesquisa do instituto, o qual responde ratificando sua isenção, profissionalismo e entregas isentas e que correspondem aos fatos ao longo de sua extensa e premiada trajetória profissional



Brasília, 20 de maio de 2024. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA, no seu relatório publicado na semana passada sobre a recente Consulta Pública a respeito de possível extinção das bulas impressas de medicamentos, em um trecho, de forma surpreendente que mostra viés, ou seja, falta de isenção, aponta eventual distorção do Instituto DataFolha em recente pesquisa, a qual indica que 84% da população exige a manutenção das bulas impressas de medicamentos. 


O mais interessante é que o resultado da Consulta Pública é bastante similar à pesquisa, além da corroborada seriedade e profissionalismo do instituto de pesquisa. 


Antes de inserirmos o trecho do questionamento da Anvisa com a respectiva resposta do DataFolha, elencamos trecho de um pronunciamento da agência reguladora em meados de 2021 mostrando-se contrária à eliminação das bulas impressas de medicamentos dentro das caixas o qual mudou atualmente. 


Fragmento da manifestação da Anvisa à época (que consta na nota técnica 48/2021 quando a questão era um Projeto de Lei): Avalia-se que o PL, se aprovado o texto como apresentado, poderá causar problemas para a segurança de pacientes, uma vez que ele não estipula um mínimo de bulas a serem entregues junto à embalagem dos medicamentos. Logo, poderá ocorrer prejuízo para o uso racional dos medicamentos, uma vez que nem todos os pacientes têm acesso à internet, consideradas as disparidades socioeconômicas do Brasil. O Projeto de Lei e a extinção da bula impressa é inadequado e inoportuno para a saúde da população. O PL busca alterar uma lei que trata do Sistema Nacional de Controle de Medicamentos, que tem como objetivo a rastreabilidade de medicamentos, assunto não diretamente relacionado às bulas de medicamentos. Considerando os impactos negativos à saúde pública relativos à alteração trazida pelo PL, no sentido de inviabilizar a identificação individualizada dos medicamentos e também considerando os investimentos já realizados até aqui, a sugestão da Anvisa é manter a redação, vigente, atual.” 


Pois bem! Perguntamos: o que fez a Anvisa mudar, em tão curto espaço de tempo, seu posicionamento?!?


Segue agora o trecho sobre o questionamento por parte da Anvisa no relatório e a resposta do Instituto DataFolha (ipsis literis):


ANVISA:

"Uma pesquisa do Instituto DataFolha revelou que a maioria dos brasileiros considera a bula impressa de medicamentos importante, apesar do avanço da Anvisa em direção às bulas digitais. Dos 2.007 entrevistados, 84% afirmaram que a bula impressa importante ou muito importante. A pesquisa também destacou que 84% preferem ter a bula em papel ou em ambos os formatos (papel e digital). Além disso, aproximadamente 66% dos entrevistados relataram problemas de acesso à internet em seus smartphones ou falta do dispositivo para acessar a bula online. A maioria (83%) acredita que a falta da bula em papel pode resultar em problemas de saúde para familiares ou amigos. Em relação à perda do direito à bula impressa, 81% dos entrevistados discordam dessa medida. Segundo dados do IBGE, cerca de 40 milhões de brasileiros enfrentam complicações de acesso, seja devido à qualidade do sinal, do aparelho ou à dificuldade de manuseio de dispositivos eletrônicos (19). Cabe ressaltar que a pesquisa Datafolha foi patrocinada pela Associação Brasileira da Indústria Gráfica - ABIGRAF, cuja página oficial descreve sua missão como a liderança, integração e representação do setor gráfico, valorizando a comunicação impressa e promovendo o desenvolvimento de seus associados e demais partes interessadas. Sua visão é unir, fortalecer e expandir o setor gráfico brasileiro, interagindo de forma sustentável com outros setores da cadeiaprodutiva. Portanto, é importante considerar que se trata de uma associação querepresenta empresas com interesses financeiros que poderiam ser diretamente afetados pela implementação das bulas digitais."

INSTITUTO DATAFOLHA:

“Resposta do Datafolha em relação ao relatório sobre a consulta pública do projeto Bulas (PM745867) – Documento Interno

Em resposta à menção ao trabalho do Datafolha presente no relatório elaborado pela ANVISA referente à Consulta Pública n° 1.224, de 11 de dezembro de 2023, o Datafolha esclarece que não foi apontado nenhum problema técnico ou metodológico nos dados reportados.

A metodologia utilizada pelo Datafolha foi informada na divulgação, incluindo detalhes do desenho amostral, procedimento de ponderação da amostra e a forma de contato para as entrevistas, conduzidas de maneira independente.

O Datafolha é um dos principais institutos de pesquisa de opinião pública e pesquisas de mercado do Brasil com mais de 40 anos de existência. Além da experiência prática, o Datafolha leva em conta teorias e trabalhos estatísticos que fundamentam os resultados das pesquisas com ética, seriedade e rigor científico além de fazer parte de associações que promovem as boas práticas de pesquisa como a ABEP (Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa).

A ABIGRAF encomendou uma pesquisa ao Datafolha para verificar a opinião da população brasileira a respeito da substituição da bula impressa no interior das embalagens dos medicamentos por um QR-code de acesso online com o intuito de colaborar para o debate através da investigação da opinião pública sobre o assunto, que carece de estudos aprofundados. Ressaltamos que esta parceria não comprometeu a independência do Datafolha.


Sobre a pesquisa Datafolha

Sob encomenda da ABIGRAF, as entrevistas aconteceram entre 7 e 11 de março de 2024, de forma presencial, com 2.007 pessoas de 16 anos ou mais de todas as classes econômicas, nas cinco regiões do país. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%.”

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